A nova legislação tributária que entrou em vigor agora em 2026 pode acentuar um problema que já atinge em cheio a quase totalidade das empresas brasileiros. Se você é empresário, é quase certo que está pagando mais impostos do que precisaria.
Um levantamento do Instituto Brasileiro de Pesquisas Tributárias (IBPT) apurou que 95% das empresas brasileiras recolhem mais impostos do que deveriam. Os motivos são principalmente erro na apuração do tributo devido ou desconhecimento de benefícios fiscais. Ambos decorrentes da falta de planejamento tributário, mesmo por parte das grandes empresas.
O estudo é de 2024, com base em dados de 2022. Mas é pouco provável que essa realidade tenha se alterado desde então. Segundo a pesquisa, grande parte dos gestores concentra-se em cumprir obrigações fiscais, sem questionar a precisão dos cálculos. Dessa forma, milhões de reais em créditos do PIS e do Cofins sobre insumos, energia, fretes e serviços terceirizados (no caso de empresas do regime de Lucro Real) ou reclassificação de receitas e exclusão de valores não tributáveis (Lucro Presumido) vão parar indevidamente nos cofres dos governos, comprometendo o crescimento e a competitividade das empresas.
Se a sua empresa, mesmo com boas vendas, apresenta baixa margem de lucro, se o fluxo de caixa está desequilibrado, se você não realizou nenhuma análise para escolher o regime tributário e não faz nenhuma revisão fiscal nos últimos cinco anos, fica atento porque é muito provável que esteja pagando impostos em excesso.
Para Lucas Schnorr, contador e diretor da Contex Digital, um dos grandes erros cometidos pelos empresários é a desconexão e falta de informações. Ele reforça que um bom planejamento tributário só é possível se houver uma ótima triangulação entre informações contábeis/fiscais, financeiras e, inclusive, do planejamento estratégico da empresa.
Ressalta-se que a legislação permite revisar os tributos dos últimos cinco anos, com possibilidade de restituição ou compensação dos valores eventualmente pagos a mais. Para muitas empresas, essa prática é uma medida recorrente e uma ferramenta estratégica de crescimento.
De qualquer forma, os números da pesquisa reforçam a necessidade de planejamento tributário, especialmente num país que cria em média 46 novas normas tributários por dia útil – foram editadas 320 mil normas relacionadas a tributos desde a promulgação da atual Constituição, em 1988. Uma pequena alteração na composição ou mesmo na embalagem de um produto já pode implicar mudanças no tributo cobrado e uma grande chance de cometer um erro no cálculo do imposto. Além de jogar dinheiro – e o próprio crescimento e a competitividade da empresa – pela janela.


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